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Deu Match!?

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O crush não responde mensagens, mas vive de olho nos Stories: por quê?

Deu Match!?

19/11/2018 04h00

Mesmo cortando relações diretas, há quem ainda continue a observar as ações do ex nas redes sociais (Foto: Pexels)

A história é sempre a mesma: o match acontece, conversa vai, conversa vem, e rola o encontro. Tudo parece caminhar muito bem até que o silêncio toma conta. De uma hora para a outra, o pretendente some e toda a comunicação é cortada, com um porém: a pessoa continua acompanhando os stories e fotos no Instagram, posts no Facebook e toda a atividade online do antigo crush. Esse comportamento é conhecido como "orbiting".

Orbiting vem do verbo "orbitar", pairar em volta de algo, ou no caso, de alguém, sem realizar contato direto. O fenômeno é cada vez mais comum na era de relações digitais e é fácil encontrar quem já tenha sido vítima disso, ou mesmo praticado a conduta.

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Nas situações em que foi ele quem ocasionou o orbiting, o motivo foi simplesmente a curiosidade misturada com falta de interesse. Mesmo sem a vontade de continuar saindo com o crush, dar uma olhada nos stories e posts da pessoa servia como distração e passatempo para Bruno.

A estudante Aynara Camargo, de 20 anos, também já foi vítima de orbiting e acredita ser uma piores coisas que pode acontecer com alguém em termos de relacionamento. "A gente se sente ignorada, porque fica pensando 'como a pessoa não consegue responder as mensagens, mas tem tempo de olhar tudo o que eu posto e está interessado em tudo o que eu faço?', dá até a impressão que a pessoa quer fazer um joguinho psicológico", diz ela.

Aynara conta que é muito direta em seus relacionamento e, por isso mesmo, quando percebe que o orbiting está acontecendo já bloqueia a pessoa de uma vez. No seu círculo de amigas, a queixa é frequente. "Entre as mulheres sempre ouço esse comentário, 'amiga, ele vê tudo o que eu posto", se referindo a ex-namorado ou ex-ficante. Eu acredito que o orbiting ocorra por vários motivos, todos pessoais. Às vezes a pessoa não quer mais ficar com você, mas pode ser que ela esteja apenas querendo um tempo só para ela, para trabalhar, estudar ou até mesmo curtir porque ela sabe que aquele não é o melhor momento para criar intimidade com alguém", pensa.

Amores líquidos

A psicóloga Ohara Coca identifica que o fenômeno de orbiting é cada vez mais comum e acontece muito por conta dos novos perfis de relacionamento da era digital. "Essa situação é uma das consequências diante do cenário superficial que estão se estabelecendo os relacionamentos atuais, assim como um reflexo da sociedade narcísica a qual estamos inseridos. Penso que o principal não seja o orbiting em si, mas o que se evoca a partir dele. Por que tanta insegurança, ansiedade, tristeza? Eu tenho postado coisas visando mobilizar o outro? Por que preciso ficar acompanhando notícias do(a) ex? Por que preciso acompanhar quem está visualizando e curtindo minhas coisas? Mais do que tentar entender o movimento do outro, deve-se tentar compreender a si mesmo, assim teremos menos chances de ser impactados por fenômenos como esse das redes sociais", afirma ela.

Para a psicóloga, o individualismo e a insegurança são os dois fatores que mais influenciam a existência do orbiting nas relações, mas também as expectativas das pessoas pautam bastante o significado deste movimento. "O orbiting evoca fantasias inconscientes em quem ainda possui expectativas quanto ao relacionamento, dificultando o desinvestimento afetivo e processo de luto. Se a resposta do outro lhe afeta (seja você quem orbita ou é orbitado), talvez a questão não seja o outro, mas você", afirma.

Aynara diz que também já praticou orbiting, mas que isso aconteceu por conta dos bons sentimentos que ainda nutria pelo ex-pretendente. "Foi com uma pessoa que eu não queria mais ficar, porém fomos perdendo o contato de forma natural, mas o carinho e o respeito permaneceram, por isso sempre me interessava em saber o que ele estava fazendo da vida, e olhava por curiosidade as redes sociais dele", conta ela.

De qualquer forma, por ser um fenômeno novo, não existe literatura ou bases científicas para explicarem o porquê do orbiting estar se tornando tão comum, mas a psicóloga lança uma pergunta pertinente. "Não temos acesso ao motivo exato de quem orbita estar fazendo isso, mas a questão é: por que isso mexe tanto com você?"

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