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Deu Match!?

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Colecionador de match: por que muita gente usa apps e não sai com ninguém?

Deu Match!?

2023-01-20T19:04:00

23/01/2019 04h00

Millennials estão cada vez menos usando apps de relacionamento para conseguir encontros (Foto: Pexels)

Quanto tempo você gasta por dia para dar likes nos perfis do Tinder? Tem gente que passa horas na busca pela próxima paixão, mas também existe quem faça dos apps de relacionamento apenas uma ferramenta para aumentar a autoestima.

Uma pesquisa da plataforma estudantil LendEDU descobriu que 70% das pessoas, nascidas entre 1979 e 1995, entrevistados estão utilizando aplicativos para aumentar sua confiança e autoestima ao invés de procurar um relacionamento.

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A estudante Larissa Ramos é o perfeito exemplo deste cenário. Com perfil no Tinder há pouco mais de um ano, o uso do aplicativo por ela sem pretensões românticas acontece naturalmente. "Sinceramente, é uma mistura de tédio com alimentar o ego, já que você vê possíveis pretendentes que 'gostam' de você, e isso faz você se sentir bem, você se sente atraente", conta ela.

Ela afirma que é difícil conversar com outros usuários, e o simples fato de dar matches já serve para dar um impulso na autoconfiança. Por outro lado, para a recepcionista Marta Molina, até o propósito de inflar a autoestima já não consegue ser alcançado mais. "Ter matches, às vezes, alimenta o ego, mas uma hora você para e pensa que as relações nos aplicativos são muito impessoais, um verdadeiro 'cardápio', o que não faz tão bem. Ninguém ali te escolhe pelo o que você é, mas, sim, pelo o que você parece", diz.

Like externo para curtir-se internamente

A psicóloga Elaine Santos, doutoranda em relações tecnológicas pela USP, afirma que essa necessidade de validação acontece, e muito disso é facilitado pela natureza instantânea dos meios utilizados para conhecer novas pessoas.

Larissa não utiliza mais apps com o objetivo de conseguir encontros (Foto: Arquivo Pessoal)

"É quase como se as relações, hoje em dia, assumissem uma posição mais infantil, na qual o sujeito não se sente maduro para se relacionar, ao mesmo tempo que ele depende do olhar do outro pra se sentir sujeito, precisa de alguém que diga para ele quem ele é, precisa atingir tantos likes para validar uma experiência, precisa que o outro o ache bonito, mas isso não implica, necessariamente, que ele queira se relacionar com esse outro, porque se relacionar vai muito além desse olhar", explica ela.

Assim, levando em consideração o perfil menos sólido das relações construídas nas redes sociais e aplicativos, embora exista a necessidade de ser visto, curtido, falta a maturidade para estabelecer conexões, o que justifica, em parte, a transformação do objetivo de apps, como o Tinder, para uma ferramenta de validação. "O celular é quase como uma varinha mágica que permite o acesso a qualquer coisa, mas esse acesso exacerbado ao que existe fora, de uma certa forma, faz com que a gente perca a capacidade de lidar com o que existe dentro, e a gente acaba buscando no outro esse conhecimento de algo que a gente não consegue mais reconhecer na gente mesmo, e é esse exterrno que vai ditar e dizer quem a gente é", continua Elaine.

Hoje, Marta tenta retomar de maneira mais saudável sua relação com o Tinder, utilizando-o para seu propósito inicial. "Eu dei uma desencanada de aplicativos para conhecer pessoas, mas, quando uso, me esforço ao máximo para dar like e tentar conversar com gente que me dê vontade de sair, conhecer, não ficar só naquela de colecionar matches para poder dizer que sou desejável. É um exercício", diz.

"É difícil dar conta de um relacionamento. Para viver uma relação amorosa, é preciso ter compromisso, constância, esforço, exige que a gente se abra para angústia, sofrimento, conflito e todas essas coisas são muito para um sujeito que é pautado somente naquilo que vem de fora", finaliza a psicóloga.

 

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