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"LinkedIn não é Tinder": mulheres falam sobre assédio na rede profissional

Deu Match!?

2016-05-20T19:04:00

16/05/2019 04h00

Cássia Santos fez desabafo que viralizou no LinkedIn. Crédito: reprodução


O LinkedIn é uma rede profissional que conta com mais de 562 milhões de usuários ao redor do mundo. Muitos podem pensar que, além de arrumar um emprego, é possível, de quebra, paquerar ou conseguir alguém para sair, como acontece em diversos aplicativos de relacionamento. Por que não?


A resposta é simples: as pessoas cadastradas no LinkedIn estão em busca de conexões profissionais,  e não procurando um encontro amoroso –pelo menos a maioria delas. Mas tem gente que usa, sim, o LinkedIn para xavecar. Foi por isso que, cansada dos assédios, a bioquímica Cássia Santos, 23, resolveu fazer um desabafo na rede: "LinkedIn não é Tinder". O texto de Cássia viralizou.

Foto usada pela bioquímica Cássia Santos no perfil do LinkedIn. Crédito: arquivo pessoal.

A história do post que viralizou

"Tenho conta no LinkedIn há cerca de dois anos. A primeira vez que sofri assédio foi no início de 2018, por um indiano que pegou meu WhatsApp no perfil e ficou me mandando mensagens. Pedi respeito, disse que ele estava sendo inconveniente e o bloqueei. Em outra situação, um homem me chamou no inbox do LinkedIn e começou uma conversa cheia de corações, beijinhos, flores, me chamando de querida. Além disso, perguntou se eu era comprometida, falou que meu namorado era sortudo e ficou me elogiando sem eu ter dado a menor liberdade a ele", diz Cássia.

Ela relata que sempre que se deparou com esse tipo de abordagem respondeu de maneira seca e bloqueou a pessoa. "A gota d'água foi um estrangeiro que me adicionou há alguns dias e perguntou onde resido, minha idade e se sou casada. Disse, ainda, ter percebido que além de linda, sou uma mulher inteligente e forte. Logo o cortei e isso me incomodou por um tempo, até que, no último dia 7 de maio, fiz a postagem."

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Cássia não imaginava o alcance que teria seu depoimento. Até a publicação deste texto, foram cerca de 700.000 visualizações, mais de 35.000 reações e 2.000 comentários. "Fiquei feliz com o número de pessoas que se solidarizaram comigo. Nem todos os homens são assediadores, muitos deles, inclusive, me apoiaram. Por outro lado, me entristece que um desabafo de uma situação que nunca deveria ocorrer foi o que teve mais alcance entre tudo o que já publiquei, justamente por tocar tanta gente, com muitas mulheres dizendo que já passaram por isso."

Foto usada pela secretária executiva Maria Cecília Sepulvida no perfil do LinkedIn. Crédito: arquivo pessoal.

O grupo INpoderadas

Uma dessas mulheres é Maria Cecília Sepulvida, secretária executiva de 33 anos. "Quando eu tinha apenas algumas semanas no LinkedIn, aceitei a conexão de um homem de Portugal. Após enviar minha mensagem de boas vindas padrão, já que estava buscando recolocação profissional, ele começou a me elogiar. Dizia que eu tinha olhos lindos que o faziam perder a concentração, que estava encantado com minha foto e perguntou se eu tinha namorado ou era casada", relembra.

Mesmo depois que Maria Cecília disse que era casada e falou de suas aspirações profissionais, o rapaz não desistiu. "No dia seguinte, ele me adicionou no WhatsApp, dizendo que tomou essa liberdade por ver meu telefone no currículo. Depois começou a mandar mensagens e cobrar porque eu visualizava e não respondia, questionando se eu não podia falar porque meu marido estava por perto. Então o bloqueei e denunciei o perfil ao LinkedIn", conta.

Com o objetivo de reunir mulheres que passam por esse tipo de situação no LinkedIn, Maria Cecília criou um grupo no WhatsApp, o INpoderadas, que, em breve, se tornará uma página na rede profissional. "Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas não podemos desistir. É um trabalho de formiguinha. Infelizmente, não é possível divulgar a cara de todos os assediadores. Porém, podemos fazer um trabalho bacana dentro do grupo".

Foto usada pela designer de usabilidade Ingrid Pinilha no perfil do LinkedIn. Crédito: arquivo pessoal.

"Eu me arrependi de não ter denunciado"

A designer de usabilidade Ingrid Pinilha, 28, diz usar muito o LinkedIn por haver boas ofertas de vagas para sua área na rede. A jovem afirma que, antes de passar por situações de assédio, acreditava que todos que estavam ali se relacionavam apenas no âmbito profissional. "Na minha cabeça, ninguém vai pedindo para sair com outra pessoa de cara numa rede profissional. Eu realmente odiei quando isso aconteceu comigo."

Ela conta que um cara a adicionou no LinkedIn, agradeceu a conexão e, em seguida, começou uma conversa e a convidou para sair. "Questionei qual era o intuito disso, já que éramos de áreas totalmente diferentes, e ele disse que queria conhecer novas pessoas. Em outra ocasião, um rapaz começou a falar comigo de questões profissionais até que perguntou se eu era solteira e se aceitaria jantar com ele.  Nos dois casos, respondi que não estava interessada", recorda. Ingrid diz que se arrepende de não ter denunciado os casos para o Linkedin. 

Rede social diz não tolerar assédio

Procurado pelo "Deu Match!?", o LinkedIn divulgou um comunicado no qual destaca ser uma rede social profissional, que trabalha para que a experiência dos usuários na plataforma seja com esse intuito. Afirma ue a empresa não tolera o assédio e que sente muito pelo ocorrido com a Cássia, com quem entraram em contato diretamente. A empresa diz, ainda, encorajar os usuários a reportar conteúdos inapropriados ou ofensivos para que sejam tomadas as medidas necessárias.

Mesmo com muitas pessoas dizendo para ela bloquear e seguir a vida e outras insinuando que teria que aprender a lidar com o assédio, Cássia denunciou ao LinkedIn os perfis que considerou inconvenientes. "Muita gente pensa que assédio é quando alguém chega falando 'oi, gostosa', mas não é assim. Quer fazer um elogio no LinkedIn? Faça ao meu trabalho, pelo projeto que eu fiz na faculdade e que deu resultado. Parabenize pelo cargo que conquistei, por uma publicação".

Por Eligia Aquino Cesar, colaboração para a Universa

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Notícias, curiosidades e muitas histórias de quem já se deu bem ou quebrou a cara nos apps de paquera.